A Mata Atlântica, formação florestal distribuida ao longo da costa brasileira, formava, originalmete uma mata contínua desde o Rio Grande do Norte, até o Rio Grande do Sul. Hoje a Mata Atlântica é um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, restando apenas 8% de sua cobertura original.
Por estar distribuida dentro de uma grande variação, tanto latitudinal como altitudinal (desde o nível do mar até cerca de 3.000m , no topo de algumas serras) apresenta uma grande variedade de espécies, concentrando em seu ecossistema uma parte bastante considerável da biodiversidade de flora e fauna do Brasil e do Mundo.
A Mata Atlântica encontrada em nossa reserva, é a Mata Atlântica de Altitude, floresta semi-decidual que apresenta uma grande riqueza de fauna e flora. A serra do Vuna faz parte do complexo da Mantiqueira, que é um dos principais corredores biológicos remanescentes da Mata Atlântica. Nossa luta por sua preservação vem da consciência que temos da importância deste ecossistema.
Das cerca de 10 mil espécies de plantas, 50% são endêmicas, ou seja, não podem ser encontradas em nenhum outro local do planeta. O nível de endemismo cresce significativamente quando separamos as espécies da flora em grupos, atingindo 53,5% para espécies arbóreas, 64% para palmeiras e 74,4% para as bromélias. A diversidade de árvores é a maior do mundo: 476 espécies arbóreas pertencentes a 178 gêneros e 66 famílias.
Em termos de fauna, os números também são impressionantes: da fauna também: 130 espécies de mamíferos, 51 delas endêmicas; 23 de marsupiais; 57 de roedores; 160 de aves endêmicas; 183 de anfíbios, 91,8% delas endêmicas; 143 de répteis e 21 espécies e subespécies de primatas endêmicas. Apesar desta grande biodiversidade, a situação é extremamente grave, pois das 202 espécies animais ameaçadas de extinção no Brasil, 171 são da Mata Atlântica.
Mesmo reduzida e muito fragmentada, a Mata Atlântica possui uma importância social e ambiental enorme. Para aproximadamente 70% da população brasileira que vive em seu domínio, ela regula o fluxo dos mananciais, assegura a fertilidade do solo, controla o clima e protege as escarpas e encostas das serras, além de preservar um patrimônio histórico e cultural imenso.
O nível de destruição observado na mata atlântica é tão alto e alarmante que em 1992 este ecossistema foi elevado a categoria de Reserva da Biosfera ( CMA 1992), que é um instrumento de conservação que favorece a descoberta de soluções para problemas como o desmatamento das florestas tropicais, a desertificação, a poluição atmosférica, o efeito estufa etc.